Posted byTrunkael | Marcadores: , | às 11:50 | 3 comentários

Para acrescentar ao texto de paradigmas lógicos vou deixar aqui um dos conselhos baseados em magia do caos.


11. Descondicionamento, Como eu mostrei antes, é relativamente fácil fazer a troca entre convicções mágicas e dogmáticas. Porém é bom saber que nem toda convicção é tão fácil de ser descartada. Alguns níveis de nossa atitudes/convicções são notavelmente resistentes a mudanças conscientes. Realmente, algumas estruturas são capazes de 'resistir' as mudanças permanecendo camufladas ou ' invisíveis' à consciência consciente, e devem ser arrastadas e chutadas para fora, na luz dolorosa da auto-revelação.

Descondicionamento é um processo ininterrupto - até mesmo em descartar limitações (no Tantra, isto é conhecido como o maravilhoso Klesha), Freqüentemente, estruturas de convicções são ' colocadas' uma dentro da outra, e pode ter as suas raizes em uma experiência formativa poderosa.

Timothy Leary chama isto de processo de ' Impressão da Susceptibilidade' onde a impressão forma uma resposta na base para experimentar, e estabelecer os parâmetros. Os oito circuitos de consciência de Leary e a Metaprogramação pode ser empregada como uma ajuda ao descondicionamento.

Esteja atento que o Processo de Descondicionamento não é nenhuma experiência intelectual. É relativamente fácil aceitar algo intelectualmente bastando um pouco de experiência ou convicção. Leva porem mais poder entrar em ação, em uma nova posição, e arriscar em um motim emocional pode trazer bons resultados. Por exemplo, um mago masculino jovem conhecido meu examinou as suas próprias convicções sobre sua sexualidade , e decidiu que se enfocaria na sua própria repulsa/medo do homoerotismo. Ele achou que se pudesse aceitar ' intelectualmente' as atrações reprimidas dele por outros machos, e assim seu pensamento se liberaria. Ele foi então em vários encontros homossexuais, mas que não lhe deu nenhum prazer físico e somente alimentou a sua ' convicção' anterior de que isso estava errado.

Descondicionamento raramente é simples. Freqüentemente as pessoas que tiveram uma experiência de ' Iluminação' tiveram todas as suas estruturas repressivas derrubadas. Eu disse Derrubadas, e não substituídas, mas o ideal e Substituir pela sua livre e verdadeira vontade, a todo tempo, sempre que quiser. Um dos efeitos da intensa Gnosis é quebrar capas de estrutura de convicção, mas geralmente achamos que ao menos que este trabalho seja acabado, a sensação de convicção-estruturas quebradas é transitória.

O Eu, auto-regulador é o que devemos ser, não em um processo de formação, ou em um eu formado, mais adaptável às experiências. Uma das defesas mais sutis é a 'suspeita furtiva' (que pode rapidamente se tornar uma obsessão) é que você é 'melhor' que todo o resto do mundo. Em alguns círculos, isto é conhecido como ' Magusitis', e não é desconhecido aqueles que se declararam Magos Mestres, Rainhas das Bruxas, avatares de Deusas, ou os Mestres Espirituais. Se você se pega se referindo ao resto do mundo como ' gado ' , ou ' rebanho ' humano, etc, então é hora de dar outra olhada para onde você esta indo. Eu, prefiro os benefícios da empatia e a habilidade de fazer amigos do que as limitações de ser um ser reclusivo, que sonha com os escravos de serviço.

A idéia principal desse texto já estava em minha mente há muito tempo, mas amadureceu quando eu assisti a esse vídeo do Terence Mackena.



Em sua introdução ele explica o por que a cultura pode ser considerada nosso sistema operacional, e dentro deste sistema é impossível que tenhamos uma percepção real de qualquer coisa que esteja fora do mesmo.

O que ele chamou de sistema operacional, e o que vou chamar de paradigma lógico, é mais do que o conhecimento adquirido ou as regras que nos foram impostas culturalmente. É a nossa própria lógica que processa as informações. Esse sistema é criado a partir da síntese entre o nosso entendimento e o conhecimento imposto pelo externo.

As situações que vivemos nos levarão a criar a nossa lógica geral sobre tudo que nos cerca e conforme nos apegamos a essa lógica ela se tornará suficientemente forte para que não aceitemos nada que não possa ser encaixado dentro desse sistema. Em uma discussão inflamada não percebemos o quão claramente estamos defendendo um paradigma que na maioria das vezes nos foi imposto sutilmente pela cultura da qual fazemos parte.

Na prática isso é perceptível pela falta de comunicação real entre pessoas com filosofia de vida completamente diversa. Ateus e Religiosos são um bom exemplo. Ainda que se crie uma discussão lógica e aparentemente produtiva não há troca real de informação, há apenas o confronto entre dois paradigmas divergentes.

O que abrange não só a filosofia de vida, mas também o processo lógico que você utiliza para defender essa filosofia. Não há possibilidade de um entendimento verdadeiro de outra filosofia ou ponto de vista sem que você transforme a informação para que ela se encaixe dentro do seu sistema.

A construção de nossa lógica

Para entender como construímos esse sistema operacional vamos voltar bem no começo.

Quando éramos bebês não tínhamos nenhum sistema operacional, mas ainda sim conseguíamos nos comunicar através do choro. Está com fome: chore, sujou as fraldas: chore. O choro é a primeira forma de linguagem e aprendemos o funcionamento dela na prática.

Mesmo depois de aprender algumas palavras continuamos usando o choro para conseguir o que queremos, não sabemos o por que ele funciona, mas sabemos que funciona. Com o tempo entendemos o mecanismo de funcionamento do choro e como se fosse mágica ele se torna algo constrangedor.

Mas não é mágica, os nossos pais nos condicionam a reprimir esse choro e logo ele se torna socialmente inaceitável. Sem a força das lágrimas começamos a fazer um uso mais abrangente da linguagem verbal. No começo o discurso é apenas prático (“eu quero”), mas rapidamente aprendemos a torná-lo argumentativo (“se você me dar esse presente de natal não precisa me dar outro no aniversário”).

Ainda que o discurso comece a ficar mais elaborado ele se foca nas questões práticas, você usa o discurso para efetivamente moldar o seu meio externo (em geral conseguindo coisas com seus pais ou coleguinhas).

A linguagem



Como visto na cena acima de "Waking Life" a linguagem começa a se deslocar do objeto e finalmente temos a capacidade de abstração, podemos pensar ou falar sem necessariamente estar agindo sobre o meio. Aqui marca-se a formação do seu paradigma lógico, você começa a ter uma idéia sobre moral, ética e filosofia de vida.

É também aqui que começaremos a perceber a diferença do nosso processamento lógico com o das outras pessoas. A visão de moral ou ética que guardamos em nossa bagagem vem em geral dos nossos pais ou dos professores, absorvemos essa lógica inicial deles e podemos fazer simulações mentais sobre o que faríamos ou não em determinadas situações.

Ainda não compreendemos a lógica da linguagem, mas já entendemos sua utilidade como meio de se comunicar e de simular o mundo.

Religião

É nessa época que em geral começamos a entender (superficialmente) as religiões, afinal deus é abstrato, não fazíamos a mínima idéia do por que precisávamos rezar ou ir para a igreja, era um comportamento automático.

Dentro da religião é que o nosso sistema operacional ganha a maior parte de seus upgrades e firewalls. Teremos uma idéia de moral, ética e espiritualidade que em geral nos acompanhará a vida inteira.

O nosso paradigma lógico começa a ficar cada vez mais visível nessa etapa, começamos a simular mais situações, começamos a trabalhar melhor no nosso discurso deixando-o mais complexo, fortaleceremos a nossa defesa contra os discursos contrários e de certa forma imaginamos ter criado algum nível de individualidade por causa disso.

O problema é que o firewall religioso tem uma "lógica" extremamente auto-defensiva e por isso não dará conta de entender , por exemplo, contradições na bíblia, ou mesmo a suma importância da traição Judas para o cristianismo.

Eu presenciei um exemplo interessante dessa questão quando eu morava no Parque Estadual do Rio Doce. A Tainá, uma moça que trabalhou por um tempo comigo lá, era uma religiosa de fim de semana como tantas outras. Certo dia me perguntou se eu acreditava em deus, eu disse que não, ela me lançou aquele olhar incrédulo e disse “nossa, eu realmente ouvia falar que existia pessoas assim, mas não acreditava”.

Ou seja, no paradigma lógico dela, ateus ou agnósticos não existiam, isso simplesmente não tinha espaço no sistema operacional dela.

A filosofia de vida

Vivemos em um admirável mundo novo e felizmente grande parte das pessoas consegue superar o paradigma religioso e começa a montar sua própria filosofia de vida. Esse é um processo lento e doloroso, afinal você passa a duvidar não só de suas próprias crenças, mas do próprio funcionamento de sua mente.

Normalmente essa “filosofia” de vida não tem a ver com filosofia de verdade, mas é possível explicá-la usando as várias escolas filosóficas. O Duanne resume minha filosofia de vida como “Hedonismo Durdeano” por exemplo, não que minha filosofia de vida se resuma à Tyler Durden e Epícuro, mas certamente o meu discurso dá essa impressão para ele.

Visto que a pessoa quer finalmente montar seu próprio sistema operacional ela vai ter que aprender a programar. Se observarmos de perto a linguagem de diferentes paradigmas lógicos percebemos que são tão diferentes como são as linguagens de programação.

O fato de falarmos a mesma lígua (o português) dá a falsa impressão que falamos na mesma linguagem, isso isso por que aprendemos a lingua antes de aprender a lógica. Nessa etapa que começamos a entender o nosso próprio sistema lógico, entendemos as singularidades dele e começamos a atualizar o sistema baseando na filosofia que mais nos agrada.

A configuração do sistema

A configuração do sistema é bem utilitarista, você pega o que funciona e aperfeiçoa, o que não funciona joga fora. Em geral esse processo não terá um fim. Uma vez que você começa a melhorar seus sistema operacional você não para de absorver novo conhecimento e aperfeiçoar seu discurso, a não ser que, por algum motivo, você dê um downgrade no sistema (eu vi isso acontecer a pouco tempo, um cara trocou sua filosofia de vida por um sistema operacional religioso, mas isso será aprofundado em outro texto).

Em geral você não tem que ficar mexendo no sistema o tempo todo, você cria novos algoritmos no instante que são apresentados para você. Por exemplo, Eu não acredito em extra-terrestres hoje, mas acreditei por muito tempo. Foi quando eu estava nessa etapa de construção do meu sistema que comecei a questionar toda essa questão ufológica, vi documentários, li artigos e livros e no final não achei nenhuma possibilidade concreta de sermos visitados por extraterrestres, portanto tirei a ufologia do meu sistema.


Outra possibilidade de mudança drástica em seu paradigma lógico é com o insight. Digamos que você tem uma questão que fica pairando na mente por muito tempo e vai procurar resolver essa dúvida buscando conhecimento externamente, seja conversando com pessoas ou lendo. Quando a dúvida se dissipa é o insight, o ponto final da questão. Em termos práticos é nesse momento que é feita a desinstalação ou instalação de um programa no seu sistema.

O nosso mundinho fechado

Tem um exemplo memorável de como funciona esse insight em “Uma Mente Brilhante”, certamente você se lembra do filme sobre o matemático esquizofrênico que passa metade da vida acreditando em uma conspiração. Pois bem, todos já tinham falado que ele tinha um problema, mas para ele aquilo era real. A questão ficou em sua mente por muito tempo até que ele teve o insight: “Ela não cresce”. Ele finalmente entendeu que seu amigo de quarto e a sobrinha dele não existiam quando percebeu que a menina não crescia.

Apesar do exemplo ser de um caso de esquizofrenia ele se encaixa perfeitamente para nossa questão sobre paradigmas lógicos, pois o sistema que criamos para interagir com o mundo é como uma esquizofrenia simulada. Efetivamente separamos uma pequena parte do mundo real e vivemos nele, como Tainá que não acreditava na existência de ateus, pois nunca teve contato com um antes.

Esse tipo brando de esquizofrenia pode nos seguir a vida inteira, não há uma cura real para o imaginário visto que não é possível provar a própria realidade.


Formatando, ou melhor, desfragmentando ...

Voltando ao vídeo inicial veremos uma idéia revolucionária. Mackena defende a formatação desse sistema operacional com o uso de drogas. Segundo ele o uso dos chás alucinógenos como daime e oasca poderiam criar um tipo de estado puro de consciência que limparia aos poucos a parte intrusiva da cultura para que possamos finalmente criar nosso próprio paradigma.

No meu próximo texto vou entrar em maiores detalhes sobre a minha experiência com o chá, mas desde já não recomendo o seu uso ritual. Aconselho chegar a um estado alterado de consciência com a meditação oriental, que também tem essa propriedade e, embora necessite de muito mais disciplina, também deixa espaço para uma maior liberdade (visto que o uso dos chás citados normalmente se faz dentro de uma instituição religiosa, que tentará preencher os novos espaços criados na mente com seu próprio paradigma).

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