Posted byTrunkael | Marcadores: , , , | às 03:06 | 1 comentários

Abriu os olhos.
"Onde estou?"
Milhares de pensamentos, resquícios dos sonhos que cessaram no momento em que a consciência voltou ao cérebro, ainda vagueiam pela mente, a confusão é absurda, quase que irreal.
"Quem sou eu?"
Um leve lembrança sobre os dias anteriores e os últimos acontecimentos importantes.
"Que dia é hoje? Será que tenho que trabalhar? Será hoje segunda ou sexta? Quantas horas são?"
Lentamente tudo vai voltando a ser como antes, as lembranças voltam para sua mente, e a identidade se forma novamente, alguns pensamentos típicos de pessoas insanas invadem sua cabeça:
"Será que tenho múltiplas personalidades?"
"Será que fui abduzido?"
"Na certa acabei de acordar da Matrix"
"Consegui finalmente sair da cidade das sombras"
Mas não era nada disso, simples acontecimentos podem realmente mudar a visão que uma pessoa tem do mundo, mas essa grande confusão que torturava sua mente não era comum. Pela primeira vez ele percebeu que tinha uma outra pessoa dentro dele, era algo tão extraordinário e impensável que ele sorriu, se levantou da cama e olhou para o relógio.
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Livro - Um - Richard Bach 

Capítulo 10, eu acabara de ler, e meus olhos lacrimejaram. Nunca havia lido tanta verdade e sabedoria em apenas um capítulo. É sobre a religião no mundo. Principalmente sobre o quão as religiões são destrutivas. Mais um ponto pra você BM. Tão interessante se mostra a visão do sábio Jean-Paul le Clerc, que resolvi copilar aqui, a maior parte desse capítulo, para que todos vejam a sabedoria de Le Clerc, o dom da oratória e retórica perfeita, parecia o Sócrates tirando a verdade do fundo da mente de nossos protagonistas, e, felizmente, conseguindo. 


É grande para ser lido em um Blogger, por isso aqui vou deixar apenas um link:Capítulo 10. [O link não está disponível há anos, portanto postei ele aqui mesmo]

Apesar desse, ser o capitulo mais interessante, não é o único que me chamou a atenção. Eles conseguiram dar solução para os principais problemas do mundo (leia-se guerra e destruição ambiental), em um capítulo a guerra se transforma em jogos internacionais, onde muito dinheiro rola, mantendo a paz mundial sem necessidade de militares. Em outro capítulo, diz que os humanos chegaram a um ponto tecnológico tão culminante, e com a depredação ambiental tão grande, que eles criaram robôs enologistas, espalharam eles pelo mundo e o restante dos humanos se suicidaram, dando assim, finalmente a vitória para o planeta terra, que agora não tinha mais os parasitas, mas sim os anticorpos para cuidar de sua fauna e flora.
São meio umbiguistas em determinados aspectos, e, sim, muitas vezes eles tentam enfiar suas idéias em nossa cabeça, mas fizeram um ótimo trabalho.

Um dos melhores livros do ano

10

Ao pararmos, um campo relvado se estendia à nossa volta, como um lago esmeraldino, cercado de montanhas, que refletia o crepúsculo de nuvens escarlates. Suíça, pensei num átimo. Pousamos num cartão-postal da Suíça. A distância, no vale, via-se um bosque, casas repentinas, tetos muito inclinados, a torre de uma igreja. Uma carroça na estrada da aldeia, puxada não por um trator ou um cavalo, mas por uma espécie de vaca.

Não se avistava vivalma. Nenhum caminho, nem mesmo uma trilha. Apenas aquele lago de relva, pontilhado de flores silvestres, meio emoldurado por alcantis rochosos.

— Você acha que, por acaso... — falei. — Onde estamos?

— Na França — respondeu Leslie. — Veja. — Apontou para uma fenda na rocha, onde um velho estava ajoelhado no chão, ao lado de uma pequena fogueira. Estava soldando. Faíscas branco-amareladas chispavam na rocha em torno dele.

— O que um soldador pode estar fazendo aqui, Leslie? — O que ele está consertando?

— Não está soldando nada. Está rezando. — Saiu na direção do homem e eu a segui, resolvido a manter-me calado. Leslie agia como se conhecesse tanto o local quanto o homem.

Mais de perto, verifiquei que ela estava com a razão. Não se tratava de um maçarico de acetileno. Não havia som nem fumaça, e uma coluna refulgente, da cor do sol, pulsava a cerca de um palmo de altura e a menos de um metro do ancião.

— ...e ao mundo darás, tal como recebeste — pronunciou uma voz que vinha da luz. — A todos que anseiam por conhecer a verdade de onde viemos, a razão de existirmos e o caminho que se estende na direção de nossa morada eterna.

Paramos alguns metros atrás do homem, transfixados pela visão. Eu já vira aquele esplendor uma vez, havia muitos anos. Ficara aturdido com um único vislumbre acidental daquilo que até hoje ainda chamo de Amor, e a luz que contemplávamos naquele momento era a mesma. Tanta era sua resplendência que transformava o mundo numa nota de pé de página, um opaco asterisco. Havíamos pousado ali no momento em que a vida daquele homem estava sendo transformada para sempre.

No instante seguinte, a luz desaparecera. Sob o ponto em que ela brilhara jaziam laudas de papel dourado, um texto em suntuosa caligrafia.

O homem continuou ajoelhado, de olhos cerrados, sem tomar consciência de nossa presença.

Leslie adiantou-se, estendeu a mão para o manuscrito fúlgido e pegou-o. Espantou-me que sua mão não atravessasse o pergaminho.

Embora esperássemos runas ou hieróglifos, encontramos as palavras em inglês. Claro, pensei. O velho as leria em francês, um persa em farsi. É o que ocorre quando se trata de uma revelação — o que importa não é a língua, e sim a comunicação de idéias.

Vós sois criaturas da luz, lemos. Da luz viestes, para a luz irás, e a cada passo que dais cerca-vos a luz de vosso ser infinito.

Leslie virou uma página.

Por escolha vossa habitais agora um mundo que vós construístes. Aquilo que tendes no coração transformar-se-á em verdade, aquilo que mais amais, nisso vós vos transformareis.

Outra página.

Não temais, nem vos turbeis com a aparência que são as trevas, com o disfarce que é o mal, com o manto vazio que é a morte. Pois escolhestes essas coisas como desafio, pois elas são as pedras em que afiais o gume de vosso espírito. Sabei que em toda vossa volta está a realidade do amor e que a cada momento, ao alcance de vossas mãos está o poder de transformar vosso mundo através do que aprendestes.

Eram muitíssimas as páginas, centenas delas. Nós as passávamos com reverência. Quem escreveu essas palavras, pensei, era uma alma avançada.

Sois a vida, inventando a forma. Não vos matam mais as espadas ou anos do que as portas que atravessais, passando de um cômodo a outro. Cada cômodo vos dá uma palavra que pronunciar, cada passagem é uma canção para cantardes.

Olhei para Leslie, cujos olhos estavam tão marejados quanto os meus. Se aquele texto era capaz de nos comover tanto, a nós, pessoas do século XX, pensei, que efeito não teria exercido sobre as pessoas daquele século, o ... XII!

Virávamos as páginas, rapidamente. Não havia uma só palavra de ritual, nenhuma instrução relativa a culto, nenhuma invocação de fogo e destruição sobre inimigos, nada de desastres para os incréus, deuses cruéis como o de Átila, era um texto escrito para o benevolente ser interior. Não mencionava igreja alguma, nem organizações, bispos, sacerdotes ou rebanhos; nenhuma referência a orações, coros, liturgia ou dias santificados.

Fossem aquelas idéias divulgadas naquele século, pensei, e ter-se-ía uma chave para o reconhecimento do poder sobre a fé, e o terror desapareceria. Com elas, o mundo poderia evitar a Idade Média!

O velho abriu os olhos, viu-nos e pôs-se de pé. Não demonstrava medo, como se houvesse lido aquele texto até o fim. Olhou-me de relance, depois ficou contemplando Leslie por um longo momento.

— Sou Jean-Paul le Clerc. E vocês são anjos.

Antes mesmo que me recuperasse do espanto, enquanto Leslie ainda o olhava, assombrada, o homem riu, contente.

— Notaram a Luz?

— Inspiração! — exclamou minha mulher, entregando-lhe as páginas douradas.

— Realmente, inspiração. — Ele fez uma mesura, como se ela, ao menos, fosse um anjo. — Essas palavras são a chave da verdade para qualquer pessoa que as leia, são a vida para quem lhes der ouvidos. Quando eu era menino, a Luz prometeu que as páginas viriam ter às minhas mãos na noite em que vocês aparecessem. Agora sou velho, e vocês vieram, tal como elas.

— Elas mudarão o mundo — comentei.

O velho me olhou de uma maneira estranha.

— Não.

— Mas foram-lhe dadas...

— ...como uma prova — disse ele.

— Prova?

— Viajei muito — falou. — Estudei os textos sagrados de cem religiões, de Catai até as terras nórdicas. — Seus olhos piscaram. — E, apesar de meus estudos, aprendi. Toda grande religião começa com a luz. No entanto, só os corações conservam a luz. Páginas escritas não podem fazê-lo.

— Mas o senhor tem nas mãos... — comecei. — Deve lê-las. É maravilhoso!

— O que tenho nas mãos é papel. Se entregarmos essas palavras ao mundo, serão amadas e compreendidas por aqueles que já conhecem essa verdade. Antes, porém, precisaremos lhes dar um nome. E isso representará a morte delas.

— Não. Dar um nome a algo de belo representa matá-lo? — perguntei.

O velho me olhou com surpresa.

— Dar nome a uma coisa não faz mal algum. Dar nome a essas idéias equivale a criar uma religião.

— Por quê?

Ele sorriu, estendendo-me o manuscrito.

— Entrego essas páginas a você...?

— Richard.

— Entrego a você, Richard, essas páginas que vieram diretamente da Luz do Amor. Quer passá-las, por sua vez, ao mundo, a povos ansiosos por conhecer o que dizem, às pessoas que não tiveram o privilégio de estar neste lugar no momento em que houve a dádiva? Ou deseja conservar esse texto apenas para você?

— Quero divulgá-lo, naturalmente!

— E que nome dará à sua dádiva?

O que ele estará querendo dizer, pensei.

— Isso é importante?

— Se você não o fizer, outros o farão. Chamarão a isso o livro de Richard.

— Entendo. Isso mesmo. Darei a elas um nome qualquer... 3.3 páginas.

— E você protegerá As Páginas! Ou permitirá que outras pessoas as alterem, que modifiquem nelas seja lá o que for que não compreenderem, qualquer coisa de que não gostarem?

— Não! Não poderá haver mudança alguma! Elas foram dadas pela Luz! Nada de mudanças!

— Realmente? Nem mesmo uma linha aqui e ali, por bons motivos? “A maior parte das pessoas não compreende?” “Isso pode ofender certas pessoas?” “A mensagem não está clara?”

— Nada de mudanças!

O velho arqueou a sobrancelha, inquisitivo.

— Quem é você para insistir?

— Eu estava aqui quando foram entregues! Eu as vi surgir da Luz, com meus próprios olhos!

— Portanto — disse ele —, você se tornou o Guardião das Páginas?

— Não é preciso que seja eu. Pode ser qualquer pessoa, desde que prometa não haver modificações.

— Mas alguém será o Guardião das Páginas?

— Acho que sim.

— E com isso temos o começo do sacerdócio Paginista. Aqueles que sacrificarem a vida para proteger uma escola de pensamento tornam-se seus sacerdotes. No entanto, qualquer nova ordem, qualquer novo caminho, é mudança. E a mudança representa o fim do mundo tal como ele existe.

— Essas páginas não representam nenhuma ameaça — falei. — São amor e liberdade!

— E o amor e a liberdade são o fim do medo e da escravidão.

— Claro! — respondi, atônito. Aonde estaria ele querendo chegar? Por que estava Leslie silenciosa? Por acaso ela não concordava que aquilo era...

— Os que lucram com o medo e a escravidão ficarão satisfeitos com a mensagem das Páginas?

— Provavelmente não, mas não podemos deixar que essa... luz... se perca!

— Promete proteger a luz? — perguntou ele.

— Claro que sim!

— E os demais Paginistas, seus amigos, a protegerão também?

— Sim.

— E se os que tiram proveito do medo e da escravidão convencerem o rei desta terra que você é perigoso, se avançarem sobre sua casa, chegarem com espadas, como você protegerá as Páginas?

— Eu as levarei daqui! Fugirei!

— E quando for seguido, apanhado, encurralado?

— Se precisar lutar, lutarei — respondi. — Há princípios mais importantes do que a vida. Vale a pena morrer por algumas idéias.

O velho suspirou.

— E assim tiveram início as Guerras Paginistas. Couraças, espadas, escudos e bandeiras, cavalos e fogo, sangue nas ruas. Não serão guerrinhas! A você se juntarão milhares de crentes fervorosos, dezenas de milhares, rápidos, fortes e hábeis. Mas os princípios das Páginas desafiam os governantes de toda nação que mantêm o poder através do medo e das trevas. Outras dezenas de milhares de pessoas lutarão contra vocês.

Por fim comecei a entrever o que Le Clerc desejava dizer.

— Para ser conhecido — continuou ele —, para distinguir-se de outros grupos, vocês precisarão de um símbolo. Que símbolo escolherão? Que sinal aplicarão em seus estandartes?

Meu coração contristou-se diante do peso de suas palavras, mas insisti.

— O símbolo da luz — respondi. — O sinal será uma chama.

— E assim sucederá — disse ele, lendo uma história que não fora escrita — que o Sinal da Chama se chocará com o Sinal-da-cruz nos campos de batalha do leste da França, e a Chama prevalecerá, numa vitória gloriosa, e as primeiras cidades edificadas sob o signo da Cruz serão arrasadas pelo fogo purificador dos exércitos de vocês. Com isso, a Cruz se juntará ao Crescente, e, juntas, suas legiões combinadas brotarão do sul, cem mil homens em armas a se oporem a seus oitenta mil.

Ah, pare, pensei em dizer. Sei o que vem em seguida.

— E para cada homem, mulher ou criança da Cruz e do Crescente que vocês matarem a fim de proteger a dádiva que receberam, cem outros odiarão seu nome. Todo irmão, filho, esposa, pai e amigo dos mortos odiarão os Paginistas e suas amaldiçoadas Páginas pelo assassínio do ente querido. E todo irmão, filho, esposa, pai e amigo de um Paginista odiará cada cristão e sua maldita Cruz, cada muçulmano e seu amaldiçoado Crescente pela morte do ente querido!

— Não! — exclamei. Cada uma de suas palavras era verdadeira.

— E durante as guerras, serão erigidos altares. Em torno das Páginas, serão construídas catedrais e cúpulas. Os que buscarem a compreensão e o crescimento espiritual ver-se-ão sobrecarregados com novas superstições e novos limites: sinos e símbolos, regras e cantos, cerimônias, preces e paramentos, incenso e oferendas de ouro. O ouro se transformará na essência do Paginismo. Ouro para construir templos maiores, ouro para que espadas convertam os incréus e salvem-lhes as almas.

— E quando você morrer, Primeiro Guardião das Páginas, ouro para a fabricação de efígies suas. Haverá estátuas imensas, grandiosos afrescos. pinturas que darão a essa cena o prestígio da arte. E veja, entretendo nessa tapeçaria: aqui a Luz, ali as Páginas, acolá o céu se abrindo para o Paraíso. Aqui se vê Richard, o Grande, ajoelhado em sua armadura reluzente; aqui, ela, o maravilhoso Anjo da Sabedoria, com as Páginas Sagradas nas mãos; ali, o idoso Le Clerc, em sua humilde morada nas montanhas, testemunhando a visão.

Ufa, pensei. Impossível!

Mas nada havia de impossível. Era inevitável.

— Divulgue essas páginas para o mundo, e eis que no mundo nascerá outra poderosa religião, outro sacerdócio, outros Nós e outros Eles, uns contrapostos a outros. Daqui a cem anos, um milhão de pessoas terão morrido pela verdade que temos nas mãos; dentro de mil anos, dezenas de milhões. Tudo por causa desse papel.

Não havia em sua voz sinal algum de amargura, nem mostrava pessimismo ou cansaço. Jean-Paul le Clerc transmitia a sabedoria de toda uma vida, a plácida aceitação do que havia aprendido, Leslie estremeceu.

— Quer meu casaco? — perguntei-lhe.

— Não, meu amor, obrigada. Não é o frio.

— Não é o frio — repetiu Le Clerc. Abaixou-se, pegou um graveto em brasa da fogueira e o encostou nas páginas douradas. — Mas isso a aquecerá.

— Não! — bradei, arrancando-lhe as páginas das mãos. — Vai queimar a verdade?

— A verdade não pode ser queimada. A verdade fica à espera do momento em que alguém se disponha a encontrá-la — retrucou ele. — O que queimará são estas páginas. Cabe a você escolher. Gostaria que o Paginismo se torne a próxima religião deste mundo? — Ele sorriu. — Vocês serão santos da igreja...

Olhei para Leslie e vi em sua expressão o mesmo horror que eu sentia em mim.

Leslie pegou o graveto e levou-o aos cantos do pergaminho. Logo tínhamos um fogaréu sob os dedos, e deixamos que os fragmentos calcinados caíssem ao chão. Queimaram durante mais um pouco e se apagaram.

O velho suspirou de alívio.

— Que noite abençoada! — disse. — É muito raro termos a oportunidade de salvarmos o mundo de uma nova religião! — A seguir, voltou-se para minha mulher, sorrindo, esperançoso. — Teremos salvado mesmo?

Leslie também sorriu para ele, com os olhos cheios de amor.

— Salvamos, sim. Não há em nossa história, Jean-Paul le Clerc, uma só palavra a respeito dos Paginistas ou de suas guerras.

Entreolharam-se durante algum tempo, e depois, com uma mesura em nossa direção, o velho virou-se e subiu a montanha, no escuro.

As páginas ainda queimavam em minha mente, eu continuava a ver aquela inspiração transformada em cinzas.

— Mas, e aqueles que precisavam saber o que as páginas tinham a ensinar? — perguntei a Leslie. — Não temos o direito de saber o que estava escrito ali?

— Ele tem razão — respondeu ela. — Quem quiser descobrir a verdade e a luz pode fazê-lo sozinho.

— Não tenho tanta certeza. Às vezes precisamos de um mestre.

— Experimente isso — disse Leslie. — Faça de conta que, honesta, profunda, e sinceramente, você deseja saber quem é, de onde veio e por que está aqui. Faça de conta que nunca desejará descansar até descobrir.

Assenti e imaginei-me dono de uma determinação inabalável, ansioso por descobrir, esquadrinhando bibliotecas e revistas antigas, correndo atrás de palestras e seminários, mantendo diários de minha esperança e de minhas especulações, anotando intuições, meditando no alto de montanhas, seguindo pistas fornecidas por sonhos e coincidências, perguntando a estranhos — tudo aquilo que faço quando aprender alguma coisa é o que mais importa.

— Certo.

— Agora — disse Leslie —, você consegue imaginar que não descobre!.

Puxa! Como essa mulher é capaz de me fazer ver as coisas! Curvei-me diante dela.

— Minha Senhora Le Clerc, Princesa do Saber. - Leslie fez uma lenta mesura, na escuridão.

— Senhor Richard, Príncipe da Chama!

No silêncio da montanha, tomei-a em meus braços, e as estrelas não estavam mais lá no alto, mas à nossa volta. Havíamo-nos integrado às estrelas, a Le Clerc, às páginas e ao amor que infundiam, a Pye, a Tink, a Atkin e a Átila, tínhamos atingido a unicidade com tudo quanto existe, quanto existiu ou quanto existirá. Unicidade.

Filme - Contato, com Judie Foster 

Um dos melhores filmes que assisti essa semana e é bem antigo. Dra Array (Judie Foster) sempre foi fanática por rádio comunicação, e foi trabalhar no projeto SETI (busca por extra-terrestres), ninguém levava a sério essa idéia, mas ela acabou recebendo um sinal da estrela Vega. Esse sinal era a primeira transmissão televisiva de longo alcance do mundo, era um discurso de abertura da temporada de jogos, feita pelo famoso Hittler (nosso embaixador cósmico como disse uma mulher lá). A transmissão também estava codificada, e eles conseguiram decifrar para descobrir uma máquina de teletransporte interplanetário utilizando o tubo-de-minhoca de Einstein. A primeira máquina foi explodida por um fanático religioso e na segunda a Dra Array era a escolhida, e algo aconteceu.

Ela foi levada pra longe e viu muitas coisas. Mas não pode provar, dai você escolhe o final do filme. Céticos diriam que ela apenas sonhou com tudo, e entusiastas acreditariam em cada palavra dela.

O mais interessante do filme, são os conflitos religiosos e ideológicos envolvidos, tudo fica resumido em uma questão de fé. deus é muito discutido ali, e acaba que nos dá perguntas muito pertinentes quanto ao grande arquiteto. Se existe vida em outros planetas, isso coloca em cheque a maioria dos deuses que 95% das pessoas no mundo acreditam.

Ótimo filme.

Livro - João Capelo Gaivota - Richard Bach 

Livro leve, interessante, e conta a história de - adivinha - uma gaivota! Sim eu também me surpreendi ao perceber que era uma fábula, e como todas, ela vem com uma moral: "Seja o melhor", "Almeje a perfeição" e coisas do tipo.
Algumas partes me chamaram atenção por parecerem muito com a mensagem passada pelo primeiro livro que li por espontânea vontade: "O infinito poder da mente".
Poderia pegar os dois e resumir em apenas uma frase:
"Com força de vontade você consegue tudo, basta agir como se o almejado já estivesse sido alcançado."

Bom livro, e fácil também, o li em apenas uma hora e meia.

Crenças 

Hoje um sujeito religioso da loja ao lado, que gosta muito de conversar comigo, estava mais uma vez fazendo um comentário sobre O Mundo de Sofia (que eu o recomendei), e novamente ele comparava com a bíblia, e falava de deus, e etc...
Claro que eu não diria a ele tudo aquilo que digo aqui na net, pois do contrário eu seria tachado de ateu ou satanista, e ninguém mais locaria filmes na minha locadora.
O fato é que ele falava tudo com tanta convicção, que ele realmente poderia fazer alguém acreditar cegamente em suas crenças, isso eu achei extremamente interessante.
Algumas vezes eu fazia perguntas inoportunas para faze-lo se enrolar nas próprias palavras, mas ele acaba dando uma resposta (que, é claro, não satisfazia a pergunta) que o fazia se esgueirar novamente, ele me pareceu tão convicto, que eu nunca teria argumentos o suficiente, para faze-lo acreditar que deus seja uma criação humana para dominação das massas. Assim como ele nunca me faria acreditar que deus é um ser, eterno, perfeito, onisciente, onipotente e onipresente (não com tantas contradições e contrariedades) e por isso eu quase que só o escutava, até que ele falou algo que me chamou a atenção, utilizou então essa metáfora para explicar o suicídio:

"Digamos que Deus seja um poste de luz, e tua luz ilumina um raio onde nascem os seres humanos. Enquanto nós estamos por baixo dessa luz, ou seja, estamos crendo e louvando a Deus, nos estamos amando a vida, por que a vida não nos pertence, ela pertence a Deus [nesse momento eu fiz o, quase irônico, comentário de que é por isso que Ele nos a tira na hora que bem entender, não importando se somos totalmente bons aqui na terra. E ele se esquivou desse comentário e continuou] quanto mais nós nos afastamos da base dessa luz, mais vazia fica nossa alma e nosso espírito [gostaria de saber se há diferença] e por isso perdemos a noção do quanto a vida é valiosa, e a idéia do auto-extermínio vem à nossa mente." 
Foi quase com essas mesmas palavras que ele falou. E, bem, eu concordo com ele nesse aspecto. É melhor acreditar em um Deus, teoricamente, inexistente, e manter a sanidade, do que perceber o quão sós nós estamos nesse gigantesco universo, e acabar perdendo a vontade de viver.

Neil Gaiman realmente é bom, e demonstrou isso mais uma vez, criando, de novo, algo novo. Eu definiria esse livro como um conto de fadas para adultos.

Coraline é uma menina que mudou para uma casa antiga, e essa casa era dividida em 4 apartamentos. Em um deles morava um velho louco, em outro as irmãs atrizes, ela própria no terceiro e no 4º não havia ninguém morando, até que ela descobriu a porta.
Caiu em um mundo que era uma cópia destorcida do mundo dela, e lá tinha uma outra mãe, um outro pai e o gato do jardim falava com ela. Era tudo tão mais perfeito que a realidade que isso a incomodava, pois a outra mãe dela amava ela muito mesmo. Tanto que queria ela para sempre ali. E essa obsessão era o problema.
Entre cachorros falantes, teatros infinitos, ratos circenses e outras realidades distorcidas ela acaba salvando os pais e as 3 crianças.

Bom, eu distorci O resumo do livro também, por que só lendo mesmo pra saber o que ele realmente passa. Se gosta de suspense, esse é um prato cheio, assusta mais que esses filmes de terror modernos. E fora isso tudo, ela tem um diálogo com o gato que já vale o livro:

"- Por favor, qual é seu nome? - perguntou ao gato. - Olha, sou Coraline. Tá?
O gato bocejou lenta e cuidadosamente, revelando uma boca e uma língua de um rosa impressionante.
- Gatos não têm nomes. - disse.
- Não? - perguntou Coraline.
- Não - respondeu o gato. - Agora, vocês pessoas têm nomes. Isso por que vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes."


Sim... Interessante...

Se você for ler o livro, leia-o com os olhos da criança medrosa que um dia fora, pois assim obterá o êxtase completo da aventura.

Posted byTrunkael | Marcadores: , , | às 01:53 | 1 comentários

Eram 3 da manhã, ele olhou para janela mas não tinha atinado para o fato dela estar aberta, e com a quantidade de álcool em seu sangue ele não perceberia se tivesse um elefante sentado em frente seu computador para atualizar um blog. Realmente ele não estava bem, sentia ansia de vômito, tentava controlar os movimentos, mas tudo era muito instintivo, olhava ao redor e tudo paracia tão comum e tão surreal ao mesmo tempo que aquele figura sombria que estava em pé ao seu lado poderia ser uma alucinação.
Mas não era 


A figura pálida sentou a seu lado na cama, e ele sem saber diferenciar sonho da realidade ficou olhando para aquele rosto cadavérico como se apreciasse uma obra de arte. E ela fazia o mesmo, acariciando seu rosto. A imagem dela ficava disforme por alguns instantes em que ele pensava que iria desmaiar novamente, mas se mantia, piscava os olhos para tentar entender melhor o que se passava por ali. 

A faca então atravessou sua garganta, e o sangue começou a entrar para seu estomago e pulmões, ao mesmo tempo que saia em esguinchos manchando o rosto pálido que o salvou. Ele engasgou com o sangue várias vezes até que finalmente não podia mais aguentar. 

Morreu. E não foi de dor ou agonia, nem medo ou parada cárdiaca. Morreu afogado no próprio sangue. O ultimo pensamento que ele teve foi justamente esse: "Como é poético morrer afogado no próprio sangue sem sentir a dor da morte, mas sim seu perfume".

Posted byTrunkael | Marcadores: , | às 02:47 | 3 comentários

Acordei 10:30h novamente, fiz isso toda a semana após ter quase jurado que começaria acordar às 7:30h. Acordar tarde, almoçar, trabalhar, estudar, jogar Age of Mythology, entrar na net, dormir...


Rotina.
Parece que a semana só serve como fel, para o mel do fim de semana. Mas os fins de semana também não são diferentes. Mesmos lugares, mesmas pessoas, mesmas bebidas...
Rotina.
Um homem que vive em rotina é um homem morto. Eu estou morrendo. Esta sociedade hipócrita enfia em nossas mentes que a vida é assim: trabalho, um pouco de diversão e mais trabalho. Caimos em um circulo vicioso, e os dias vão ficando cada vez mais iguais, por vezes demorarm a passar, mas no final da semana sempre temos a mesma sensação: a semana passou rápido, perdemos mais uma semana em nossas vidas.
A rotina degenera a alma.

Eu assisti esse filme pela primeira vez faz mais de 5 anos, e resolvi relembrar.
Um detetive se aposentando, e outro que chega na cidade para substitui-lo, e um novo assassino a solta. Esse assassino começa a vazer suas vitimas, 5 cada uma morta por seu próprio pecado. Gula, Cobiça, Preguiça, Luxuria, Soberba. E o final magnifico, aparecem os dois ultimos corpos, causados pela inveja e pela ira.


É um filme magnifico, com atores magnificos: Brad Pitt, Morgan Freeman e Kevin Spacey. Vale falar também das grandes referencias bibliográficas, e da meticulosidade do assassino. De longe, o cara mais niilista que já vi.
Se você ainda não assistiu está ai uma bela obra de suspense policial.

Posted byTrunkael | Marcadores: , | às 12:50 | 1 comentários

Adoro a chuva. Hoje voltei pra casa na chuva, eram umas 10 horas da noite e minha aula estava acabando, os raios partiam o ar causando trovões, e as gotas d´água começavam a cair, peguei minha mochila e desci, comi um cachorro quente e comecei minha peregrinação para casa. Aqueles 5 quiilometros que me separam do mundo. E a chuva caia sobre meus ombros, molha minha blusa, minha calça, minha mochila, meu corpo, minha alma.
Não me lembrava o quanto a chuva era boa, era reconfortante, como se ela acariciasse meu ombro e dissesse: "está tudo bem Rafael, logo tudo se resolverá". 


Andei por cerca de uma hora sob a fina chuva, carros passavam pra lá e pra cá, alguns passavam por poças d´água e me molhavam, e como era bom a sensação da água batendo na calça, e dizendo: "não pode me deter". No final já estava dando paços largos nas poças d´água e chutando a enxurrada, esperimentndo toda aquela água invadindo meus sapatos e minha mente. 

E mesmo eu rezando para que a chuva aumentasse, e realmente me lavasse por inteiro, ele permaneceu fraca e complacente, como se esperasse eu chegar em casa para despejar toda sua ira sobre o mundo. E foi o que aconteceu, enquanto eu tomava banho a chuva começou a cair com ira sobre a terra, lavando a "anima mundi" e dessa chuva não tive o toque, pude apenas observar de longe ela caindo em rajadas sobre a terra.

Não, eu não estava lá, e não importa o quanto as informações são verdadeiras, vou contar como eu acho que aconteceu. 


Os dois amigos estavam jogando sinuca em um bar no bairro amazonas. Duas mulheres entraram, e é cllaro, os dois foram pra cima, convidaram para uma bebida e tals, conversaram um pouco. Um terceiro sujeito, se aproximou dos dois, e caçou confusão (tudo indica que seja pelas mulheres) e como os 2 amigos não tinham nada a perder, eles encararam o sujeito, mas não houve briga. No entanto o sujeito falou que voltaria para matar os dois. E foi isso que fez, meteu uma bala na cabeça de cada um. O dono do bar não sabe quem foi, as mulheres não sabem quem foi, aposto que nem deus sabe quem foi. Bom, isso não interessa, o que importa é que os dois morreram ali.

Vejamos que enquanto jogavam sinucas eles conversam sobre o quanto estava sendo dificil sustentar uma familia (digamos que eram casados e tinham filhos, sairam apenas para se divertir um pouco). Sim, fazer investimentos, ter cuidado como quem pode confiar, ter boas relações com os irmãos, programar o lazer no fim de semana, e sim, sonhar com o futuro... uma velhice tranquila e filhos na faculdade.

Não 

É uma pena que não poderam mais pensar no futuro, e nem no passado, muito menos no presente, pois um sujeito meteu um tiro na cara de cada um, não tem mais história, tudo acabou, deixou para trás familia, parente e sonhos, principalmente sonhos. Daqueles que tanto pensavam no futuro, que a vida no presente era só pra programar o que faria amanhã, e amanhã o que faria depois de amanhã. Não viveu, e logo morreu.

Poderia quem sabe, se dar bem nos negocios, começar a ganhar mais e dar uma vida confortavel, mas não, eles morreram, estão mortos, não tem mais sonhos. E o sujeito? Não sei, deve tá bebendo a mesma pinga de ontem, e provavelmente no mesmo lugar, pouco se lixando para o que aconteceu com a alma dos dois amigos, pois eles estavam com duas mulheres, e ele sem nenhuma, logo eles mereciam morrer. O que um sujeito merece?

Cadeia? Não importa, as vidas não voltaram, e ele mesmo se vivesse pela eternidade, nunca vai pagar os sonhos perdidos das pessoas que ele matou tão friamente.

Livro - O Encotro Marcado - Fernando Sabino 

Um livro interessante, conta a história de Eduardo e nada mais. Conta também a minha história, e possivelmente a sua, mas isso não importa muito. O fato do leitor ficar intrigado com o quanto pode se parecer com o personagem não conta muito, quase todos os livros são assim. Mas esse é um bom livro. E não pude deixar de rir, quando no final, aconteceu o mesmo que acontece no mundo de Sofia, um sujeito esquisito, diz ao protagonista que ele é apenas um personagem de um romance.


Interessante.
A outra parte interessante é essa frase, que já foi citada na Filosofia a la Black:

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo, da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro."

Filme - O Vingador - Com Vin Diesel 

Não gostei do filme. Primeiro, começa como mais um filme de ação-burra, rola simplesmente tiros e vontade de vingança por todo o filme, e no final, apenas no final, que o filme mostra que pode ser inteligente, que tudo fora uma armação. E isso também é ruim, por que quem procura filmes desse tipo, normalmente não vai entender o final. Explico. Vin Diesel prendeu o chefão das drogas. O novo chefão matou a mulher do Vingador. Ele foi atrás do sujeito, compactuou com o primeiro chefão, matou um bocado de gente atoa, e no final descobrira que foi usado para que o primeiro fosse solto. Simples.
Um bocejo cinematográfico.

O ultimo post foi muito vago, e justamente por isso, eu venho aqui para falar oq eu realmente queria falar sobre o Ensaio da Cegueira. Eu já até tinha comentado, mas não dei ênfase. É sobre a seleção natural. Muitas pessoas morreram. Os fracos morreram. Os Fortes sobreviveram. E voilá. Está ai a receita de uma humanidade mais forte. Seleção natural novamente atuante, matando a todos que não tinham condições de se sustentar em tragédias. Pode parecer desumano dizer, mas parece que é disso que o mundo está precisando agora.

Um homem no taxi de repente cegou. Não via mais além de um branco absoluto. O mal branco havia começado.
Cada uma das pessoas que se aproximaram desse homem cego, também contraiu a doença, e logo, a humanidade estava cega, apenas a mulher do médico ainda enxergava.

Mal podemos imaginar como seria um mundo sem os olhos, e esse livro exemplifica muito bem como seria. Pessoas morrendo, comida acabando, lixo, fezes e cadáveres pelas ruas. O mundo, não mais como um bom lugar para viver, mas sim, sobreviver.

O que teria causado esse mal branco?
Ninguém sabe.
Será um castigo?
Ou talvez uma benção.

Parte das mais interessantes de todo livro. Foi quando a mulher do médico, unica que ainda via, foi descansar na igreja, e chegando lá, viu que Jesus Cristo e todos os santos tinham os olhos vendados. Um pano branco nas imagem, ou uma grossa pincelada de tinta nos quadros.

Já que nenhum dos personagens tem nome, fica fácil trazer para nossa realidade, aquilo que ali aconteceu. Como fariamos se toda a humanidade ficasse cega?

Eu digo que foi uma lição. Uma seleção artificial, feita por "alguém" que estava cansado de um mundo hipócrita. De que vale as horas para escolher a cor de suas blusas, se agora não mais consegue ver?

Não posso deixar de citar um paralelo com nosso amigo Tyler Durden (Clube da Luta) na parte de sacrifício humano. Por quanto tempo essas pessoas deixaram de pensar em coisas supérfulas, para correr atrás de seus verdadeiros sonhos.

Um livro explendido. Por vezes real, trágico, cômico e em sua maioria, triste. Mas vale para que repensemos no quanto vale nossa vida, se não tivéssemos olhos para ver.

Posted byTrunkael | Marcadores: , | às 11:11 | 1 comentários

Acordei hoje de maneira muito diferente, primeiro por que eram apenas oito e quarenta, mas só olhei para o relógio depois que percebi que havia um pequeno pássaro pousado no meu dedão do pé direito. Estava inquieto, pulou para o dedão do pé esquerdo, de certo ele não sabia distinguir, na verdade nem sabia que os dedos se chamavam dedos, mas não vou me ater a esse tipo de pensamento. Foi então que olhei o relógio, e nos digítos firmes pousavam 8:41, olhei novamente para o pequeno pássaro que sobrevoo meu quarto, e abri a cortina. Ele vôo para fora pelo quebra vento.

Resolvi fazer algum exércicio, e foi basicamente isso - e o episódio do pássaro - que diferenciou esse dia de todos os outros - e talvez seja por isso que aqui estou escrevendo sobre o mesmo. Fui para locadora passar as próximas 6 horas de meu dia, e entre um cliente e outro eu estava a ler: Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Comecei a lê-lo no final da semana passada, e não estava nem na metade. Era um livro de pouco mais de trezentas páginas, mas quase sem nenhum espasso entre uma linha e outra, e tem páginas inteiras sem parágrafos.

Básicamente meu dia se passou por esse livro, e enquanto estava na locadora a atender clientes, ou mesmo quando estava no cursinho em plena aula de matemática, minha mente continuava cega ao mundo real, e absorta em um livro sobre os cegos. Acabou a aula, e acabou a leitura. Tentei, do lado de fora, continuar a ler o capítulo, mas meus olhos não mais viam como antes. Sentia uma certa irritação em um deles, e o outro não enxergava direito, como se eu acabasse de acordar. No primeiro instante veio uma tola idéia de que eu também estava prestes a cegar, mas de tão séria, a idéia me pareceu ridicula. E logo pensei em outra alternativa. Em minha mente eu estava na frente de um negro, que poderia se chamar Morpheus, e eu o perguntava por que meus olhos doiam. Ele sem mais delongas respondeu que, eu os nunca havia usado.

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